Por que a trindade do pop da Mandy Moore é: Wild Hope, Amanda Leigh e Silver Landings?
Antes de lançar essa trindade, Mandy lançou os dois primeiros álbuns voltados ao público infanto-juvenil, porque era uma estratégia de acompanhar seu público e as gravadoras já tinham em mente de sempre criar uma princesa pop para competir com as demais. Durante esse início, ela lançou também um álbum com um pop maduro, mas não tanto coeso e um álbum de covers sem tanto êxito em vendas.
So real apesar de ser o debut, não foi lançado globalmente. O disco tem canções boas, mas comparado aos de suas concorrentes, não se tornou tão popular. E naquela época era aceitável sexualizar adolescentes, desde o modo de vestir, até o que elas cantavam, Mandy não escapou disso, afinal, era apenas uma adolescente de 14 anos quando gravou o álbum e não tinha maturidade e liberdade o suficiente para decidir o que cantar, tanto que seus singles "So Real" e "Candy" têm uma linguagem de duplo sentido. Versos como "Inocência é o que tenho" e "estou sedenta por você", "você é minha alimentação", não soam tão inocentes.
Em 2000:
I wanna be with you se tornou uma reciclagem do So Real para ser lançado globalmente. A canção I Wanna Be With You entrega tudo, as outras canções inéditas também seguem a linha. É um disco calmo, mais voltado para as baladas, mas não se tem grandes diferenças do So Real em termos de repertório.
Mandy Moore:
O álbum de 2001 é pouco coeso. Por ser vendido como um álbum mais maduro, ainda tinha canções que ressoavam o pop infanto-juvenil como Crush. E o erro em ter sido colocados singles para serem lançados globalmente quando flertavam com os países específicos. Apesar de tudo isso, o CD foi o que a fez ser mais ousada em relação às outras princesas pop.
Em 2003:
Coverage é lindo, porém, não tem tanto peso por ser um álbum somente de covers. Apesar de ser muito elogiado, ele faltou divulgação (e ainda foi prejudicado por vendas, consequentemente, fazendo a Mandy sair da gravadora Epic por divergências criativas). Além disso, o álbum faz a Mandy ter a decisão de começar a tomar as rédeas da própria carreira, do que queria cantar e não do que o público esperava ouvir dela.
2007:
Wild Hope foi quando a chave da mudança ligou na carreira da Mandy e ela passou a ter definitivamente as rédeas da carreira, ela podia agora falar sobre o que bem entendesse. Canções sobre empoderamento (extraordinary), composições que alfinetavam relacionamentos amorosos (Nothing that you are) ou canções como Gardenia que mostravam uma intérprete madura a ponto de assumir "sou aquela que gosta de fazer amor no chão" isso sem nenhum efeito pejorativo, muito pelo contrário, foi chique e libertador. Ela era mulher e queria ser ouvida sem soar num estigma de "emprincesamento". Também ressalto a canção Wild Hope, porque mostra que o mundo de 2007 não é tão diferente do contemporâneo. Vivemos tristes, cansados e ocupados demais para ver essa "louca esperança". É um disco de autoconhecimento, autocrítica, autocontrole. É sobre ter o comando. E Mandy começou o seu recomeço com maestria.
2009:
Amanda Leigh traz uma Mandy folclórica, que flerta com nuances de influências dos anos 60 e também têm uma voz livre ao ponto de compor a irônica I Could Break Your Heart Any Day of the week, fazendo um clipe com reflexos do Muai Thai (na época Mandy era fã em acompanhar MMA pela TV e comentar pelo Twitter). Gosto do quanto Merrimack River acalma e convida, transborda e acolhe. É como se dissesse: Venha, vamos aproveitar esse momento nos mínimos detalhes.
Aqui Mandy também explora em seu trabalho a melancolia e a alegria em ser tristeza (Everblue). Bug também exalta as distâncias, é sobre se declarar ao ponto de segmentar tudo isso em uma canção.
É um disco de fim de tarde. Reflexivo, sarcástico e vintage. Não necessariamente nessa ordem.
2020:
Silver Landings é o disco solar, porque ela não poderia deixar de comemorar sua volta à música. Depois de onze anos, Mandy reflete quem ela foi e no que isso ainda faz parte dela (Fifteen), ela diz sobre pôr o pé na estrada e descobrir as dores e delícias de conviver na cidade que não dorme, como qualquer metropole (Tryin' My Best, Los Angeles), comenta o fato de como pode ter sido vulnerável e se liberta de ser um alvo fácil (Easy Target), entoando a volta também de trabalhar os seus agudos de forma madura e com domínio bem executado.
Aqui também os graves aparecem em When I Wasn't Watching que basicamente é sobre relacionamentos abusivos e o tempo em que se leva para enxergar o que ninguém via. O disco retoma os pontos de todas as eras, ele é autobiográfico, elegante, abraça as nossas dores, Mandy nos mostra o quanto ela também é humana, incrível e, que saber esperar o momento certo na entrega de um trabalho, faz toda a diferença.
Esses três álbuns não tiveram também grandes vendagens, mas eles carregam boas recepções críticas, tiveram apoio de todos os que acompanham a Mandy e se tornaram tão queridos por trazer uma artista que conversa com adultos, com a maturidade e sabedoria, com conselhos práticos sobre viver e aprender - com os erros e acertos - de uma carreira trilhada de forma prodígio, inteligente e que soube trabalhar o seu melhor instrumento: A voz. E saber a intensidade e o suporte da mesma.
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