A linha do tempo de Wild Hope:
Se o Wild Hope fosse lançado atualmente, com certeza seria um álbum visual que contaria os altos e baixos da perspectiva adulta.
Como era o olhar da jovem Mandy Moore aos 23 anos?
Bom, suponhamos que ela teve ideais de altas descobertas nesse disco, já que a mesma co-escreveu todas as músicas ao lado de seus amigos, que também passavam pela mesma fase de idade, términos, dúvidas e anseios.
As duas primeiras faixas começam com uma conotação positiva. Em Extraordinary ela diz a si mesma, como se fosse um mantra, que está preparada para ser extraordinária. Na segunda, em All Good Things, ela já tem uma outra abordagem positiva sobre outra parte da vida: O término de algum relacionamento.
Ora, desejar tudo de bom para uma pessoa que não te fez bem, precisa estar em uma grande paz consigo mesma, não é? E isso tudo foi apresentado em Extraordinary, é como se a primeira faixa traz todo o suporte necessário para o que ela passará ao longo do enredo das próximas músicas.
Já em Slummin' in Paradise, metaforiza quando você se sujeita a algo que você não é realmente. O padecer no paraíso traz à tona a realidade de quem quer manter um padrão de morais, quando nem mesmo é capaz de fazer isso com a própria vida, ao menos que esteja sob holofotes. Isso também mostra a realidade de muitos casais: Geralmente só quando há uma pessoa famosa na história. Essa é uma outra perspectiva sobre o fim ou um quase fim.
Porque em Most of Me trata de começar, de novo, algo que inicialmente não deu certo. Como ela diz uma célebre frase na canção: Sou uma otimista cautelosa.
Tudo isso está sendo escrito e engavetado. Será que há uma possibilidade de começar com alguém que tirou a sua maior parte?
Com todo esse peso que ela carrega, é normal se esperar que em algum momento ela esteja em alguns dias deprimida. Few Days Down explicita essa dualidade de sorrir falso e fingidamente. Mas que em algum momento, a noite se acalma e haverá a luz da manhã algum dia.
Depois desse tempo deprimida, em Can't You Just Adore Her? Ela reflete em mais uma metáfora de que quando está sozinha, há somente a lua para lhe fazer companhia. Não há ninguém que poderá reparar pelo que ela está passando, nem mesmo quem disse que a ama. Apesar de gostar de ver o pôr-do-sol enquanto um dia ressurge, ela também se identifica com a chuva e a solidão. E todos nós, algum dia, temos esse fascínio sob os fenômenos da natureza e nossas influenciáveis emoções.
Em Looking Foward To Looking Back, é a hora de relembrar os dias de um relacionamento. Principalmente quando é hora de deixar ir. É preciso voltar do ponto inicial para que possa chegar ao final. Dessa forma, no trecho "não queria te acordar, pois sabia que não podia dizer nada" é o que explica tudo.
Na caminhada de volta para algum lugar seguro, existem anseios e dúvidas, esperança e medo. É em Wild Hope que ela melancolicamente exalta que "tudo vai ficar bem", voltando ao seu ponto inicial de Extraordinary.
Nothing That You Are é o abrir de olhos, que sempre alertavam sobre relacionamentos abusivos e ela não se deu conta, mas que se permitiu agora ficar bem e mostrar que o outro, na realidade, se reduzirá ao nada, reconduzindo suas expectativas de All Good Things e mostrando um outro espectro do término.
Entretanto, para Latest Mistake começam as dúvidas, os arrependimentos, o pensar sobre recolher os pedaços ou seguir adiante. Ela aqui está aberta para que o outro seja sincero e diga a verdade, que de fato, tudo foi um engano.
Diante disso, em Ladies Choice, ela decidiu que a escolha certa partiu dela. Realmente vale a pena dizer adeus quando necessário. O final da linha dos dois chega por aqui.
Finalmente sozinha, ela consegue perceber o processo de autoconhecimento que iniciou em Extraordinary. Gardenia é sobre o reencontro consigo mesma antes de tudo ter um início. Ouvir a sua própria voz foi a melhor coisa para que ela pudesse se encontrar, depois de tanto tempo perdida.
Aqui parece ser o início de uma nova jornada. As faixas bônus apresentam um novo estado. Could Have Been Watching You apresenta uma nova perspectiva de amor para Mandy, ela encontrou algo novo e que lhe faz bem.
Já Swept Away confirma que ela está mergulhando em outro oceano sem conhecer direito, mas se agarra à ventania, porque lhe direciona para um melhor controle. Com o oceano calmo, ela luta agora para uma nova história, mesmo que ainda seja sem rumo.
Podemos concluir que a linha do tempo de Wild Hope é metafórica, em alguns pontos se desconecta, pois não segue exatamente uma linha reta, é entre idas e vindas, em se autodescobrir, nos acertos e erros da vida, em que amadurecer não é tarefa fácil. É enxergando erros e vendo novas oportunidades neles, que procuramos refúgio de uma meta: Saber a chegada de seu ápice (seja físico, espiritual e mental) e quando se deve interromper algo que não agrada ou traz conforto.
Você consegue imaginar-se nessa história magnífica de Wild Hope?
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